Avaliação da situação Socio-Económica de 2011

Dom, 08 de Janeiro de 2012 00:00
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No Cenário Externo

Ao nível do mercado externo, foram caracterizadas as seguintes causas e factores que mereceram destaque:

O preço do barril de petróleo registou um crescimento na ordem dos 14% em relação ao ano de 2010, mas, como a crise económica mundial tem diminuído o poder de compra e como consequência a abrandamento do consumo, os países industriais vêem reduzindo substancialmente a capacidade de importação, particularmente o petróleo, o que poderá se reflectir negativamente no preço do mesmo.

Nas economias industrializadas, o receio da recessão levou ao estabelecimento de políticas monetárias mais restritivas. Devido ao abrandamento das expectativas inflacionárias resultante do aumento das taxas de juros, não se prevê aumentos adicionais no curto prazo.

A disponibilidade de financiamento das economias emergentes mantém-se positivas, em decorrência da perspectiva de crescimento das mesmas. A taxa Libor permanece a niveis aceitáveis, estando em torno dos 5,4%.

O preço das commodities continua elevado, tendo os Países exportadores registado benefícios devido a alta demanda destes produtos.

O recurso ao financiamento externo foi facilitado pelo excesso de liquidez e ligeira baixa taxa de juros nas economias emergentes e pela implementação de políticas fiscais consistentes nos referidos países, dando assim maiores garantias aos credores.

No Cenário Interno

A economia angolana no ano de 2011, registou melhorias, tanto na balança de pagamento como na obtenção de receitas do tradicional volante do Orçamento Geral do Estado (petróleo), que teve uma cotação variável entre os 102 aos 110 dólares americanos, o barril, tendo permitido ao Executivo, realizar as suas acções no âmbito do cumprimento do plano económico do ano em referência.

No campo social, o Executivo apostou na melhoria das condições básicas e sociais da população, criando políticas de combate a pobreza. Neste particular, diversos estudos foram feitos que resultaram na isenção de direitos aduaneiros e imposto de consumo a 9 dos 12 produtos que constituem a cesta básica.

Os resultados do inquérito sobre o bem-estar das populações realizado pelo Executivo em 2009/10, continua a ser um dos pilares fundamentais de vários estudos, porque ao apontar que cerca de 38% da população esta a abaixo da linha da pobreza, motivou a realização da pesquisa de preços no mercado, no sentido de orientar a adopção de políticas sociais inclusivas.

Angola, tem cerca de 70.000 refugiados na República Democrática do Congo, 25.000 na Zâmbia 2.000 no Congo Brazaville, e segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, esses perderão o estatuto de refugiados de guerra em Dezembro de 2011. Nesta perspectiva, o Executivo está a adoptar estratégias de reintegração dos mesmos de modos que não se criem embaraços ao normal funcionamento da economia nacional e fácil adaptação ao novo “modus vivendi”.

Os indicadores macroeconómicos continuam assentar-se na estabilização da taxa de câmbio e de inflação, dos preços dos bens e serviços, com vista a suprir deste modo os reflexos deixados pela crise. Nesta senda, o Executivo reforçou as medidas de controlo das despesas públicas, com a implementação de forma mais acutilante do sistema integrado de gestão financeira do Estado, impondo aos gestores das unidades orçamentais e dos Órgão dependentes a procederem despesas com base na contratação pública, o que impõe a aquisição de bens e serviços, com recurso a ordens de saque. A utilização deste método, veio diminuir consideravelmente a circulação monetária fora do circuito bancário, nas relações económicas.

Dentro das políticas traçadas pelo executivo para o presente ano, destacou-se a previsão do crescimento real que é de 6,7% tendo o sector petrolífero contribuído com 5,4% e o sector não petrolífero com 7,5%, demonstrando o bom desempenho destas políticas, com reflexos positivos para a economia nacional. Apontam-se como premissas para o alcance da meta, a diversificação da economia por meio de uma estratégia virada para o mercado interno, executada através da substituição das importações, tendo em conta a elevada dependência do mercado externo para aquisição de produtos para o consumo final e para os investimentos. A agricultura é outra área apoiada pelo executivo angolano, onde tem canalizado recursos no sentido do seu relançamento e o fomento da agro-indústria, com o intuito de potenciar e consolidar o processo de diversificação da economia nacional. É um sector a privilegiar e perspectiva ainda a criação de novas oportunidades para a indústria extractiva e o fortalecimento de cadeias de suporte para a indústria transformadora, tendo em vista que emprega maior parte da população. Este ano, mostrou indicadores satisfatórios, principalmente no âmbito dos programas municipais integrados de desenvolvimento rural e de combate a pobreza, que permitiu alocar créditos de campanha aos camponeses isolados e em cooperativas, dando assim um melhor alento as perspectivas de crescimento do sector.

A estabilidade política que o Pais vive, vem proporcionando o crescimento, pois, o Executivo continua aplicar medidas conducentes a estabilização da economia, no controlo da depreciação da moeda nacional e concomitantemente na redução da inflação, factores essenciais para a sustentabilidade do emprego e da renda nacional.

Apesar de persistirem ainda alguns constrangimentos estruturais que condicionam o aumento da oferta de bens e serviços, tem se registado uma trajectória descendente da inflação, conforme indicadores da variação acumulada do índice de preço ao consumidor da cidade de Luanda, ao situar-se em 9,48% até ao Mês de Novembro (-3,96) que no igual período homologo do ano passado. A variação homóloga situou-se em 11,28% (-4,61), demonstrando confiança quanto ao cumprimento da meta da inflação para o presente ano, prevista para um nível não superior a 12%.

Entre os meses de Outubro e Novembro, registou-se uma variação de 0,86 (-0,15) que no mesmo período do ano transacto, influenciado fundamentalmente pela classe de bens e serviços diversos com 1,43%, seguindo-se a de bebidas alcoólicas e tabaco e de vestuário e calçado com 1,05%, respectivamente, alimentação e bebidas não alcoólicas com 1,05%.

Este resultado animador foi também influenciado pela estabilidade conseguida no mercado cambial que, devido a depreciação da taxa de câmbio em 2,8 porcento, o Banco Central, disponibilizou para a economia, através do sistema bancário, cerca de 3,4 mil milhões de dólares no decurso do ano, para assegurar as transacções económicas com o mercado externo.

Estes indicadores aconselham a prosseguir e reforçar a aplicação de políticas micro e macroeconómicas do género, de forma a beneficiar cada vez mais o consumidor final, que só será visível, quando se reflectir no preço dos alimentos, com realce aos da cesta básica.



Doc Produzido
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Última atualização em Dom, 08 de Janeiro de 2012 12:43